Antes eu tinha uma vida, sabe? Era chata pra caralho, apática pra caralho, mas minha. Única e exclusivamente minha. E da minha cadela. Tanto que parei de postar neste espaço porque simplesmente NÃO TINHA ASSUNTO. Eu era a incrível-mulher-sem-novidades e, por mais que reclamasse – talvez morra reclamando e discutindo com a vida –, nada abalava a rotina de acardar, tomar banho, secar os cabelos, vestir qualquer coisa, pegar ônibus, trabalhar, gargalhar vez ou outra, voltar do trabalho, tomar uma cerveja vez ou outra e dormir. Dormir sempre, que fique claro. Pois nada nessa vida tira meu sono. Ou tirava. Porque fui até Iemanjá, abaixei a cabeça e pedi. Isso em janeiro. E a coisa veio em outubro, atrasada demais, intensa demais, inteira de menos.
Eu já quis caminhar em direção às montanhas e sumir, eu já quis brigar, eu já quis discutir, eu já quis pedir perdão por coisas que não fiz. Também já quis aparecer montada num trator – pra poder passar por cima –, já torci para que ele se engasgasse e morresse, já pensei em cuspir no olho. Mas não adiantou absolutamente nada. E hoje, ao voltar do trabalho, liguei o computador, mas era no nome dele que o Facebook estava conectado. E tive de ser macho o suficiente para apertar o “sair” antes que o desejo de ler alguma coisa, de descobrir alguma coisa, comandasse a razão. E fui. E saí.
Cá estou eu, implorando para que Deus me livre do peso de gostar de alguém que, além de não ter nada a ver comigo, não pediu porra nenhuma a Iemanjá. Não se abaixou. Não quer tudo o que quero, do jeito que quero, com a velocidade de que preciso. Porque olha… dói demais.