Domingão. Perdi a hora – deveria estar nos meus pais às 9 da manhã, mas acordei ao meio-dia – e tratei de correr. Almocei com a família (camarão na moranga e alcachofra, hmmmmmmmmmmm) e fui visitar meu novo lar. Está limpinho, limpinho, pronto pra ser decorado, amado, vivido. “Viver um lugar”, sabe? Como peguei muitos freelas, tive de voltar. Então encarei mais uma vez o metrô. A linha verde. Meu transporte principal durante mais de três anos – estou nesse apartamento há exatos dois anos, seis meses e seis dias, mas moro na Heitor há três anos e quatro meses, o que me garante o direito de dizer que a linha verde é uma extensão da minha casa, de mim, dos meus dias. E pela primeira vez, em meses e meses, não odiei o que vi. Não odiei o aspecto blasé e beirando-o-vazio de quem mora na Zona Oeste, a assepsia de seus vagões, a ladeira. Agora, por saber que sairei daqui, posso pensar em reconhecer a importância desse lugar. Foi aqui, na Zona Oeste, na Heitor Penteado, na linha mais ufanista e babaca de São Paulo, que aprendi a ser um pouco mais gente, um pouco mais mulher, um pouco mais sozinha. Na linha verde, você não tem o direito de chorar ou usar Crocs. Você é obrigado a se mostrar como um vencedor, mesmo que por dentro valha bem menos que lixo. Na linha verde, meu amor, você aprende a engolir sua dor, vestir a roupa do foda-se e encarar a vida.
Levo comigo muito respeito e nenhuma saudade.

Era eu ali em cima, Ju. Logada como outra coisa. Desculpe.
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