Sei que não ando dedicando aquele tempo gostoso, quentinho & macio a este espaço, mas ó: a culpa é mais da vida, que anda corrida, do que minha. Porque existe a Juliana que para, respira e sente, e existe a outra, a dona-doida, que jurou nunca mais ser atropelada pelo rolo compressor. E as duas são obrigadas a conviver, a coabitar, a saber que às vezes uma tem de fazer faxina enquanto a outra surge toda-toda. E agora a Juliana que para, respira e sente também se agacha. Limpa o chão e retira o limo, a crosta de sujeira que ficou impregnada no solo. Ela sabe – porque para, respira e sente – que a dona-doida está muito ocupada e precisa, ao menos por enquanto, permanecer forte e sob os holofotes, porque é ela quem hoje põe a comida na mesa. É ela, a nem um pouco lúcida, quem acorda às 7 da manhã e sai para ganhar a vida. Talvez um dia a outra tome seu lugar. Talvez ambas entrem num acordo e, como cidadãs dos “novos tempos”, consigam, enfim, ter uma relação tão equilibrada quanto aquelas dos casais modernos da TV. Enquanto isso não acontece, quem sai é a dona-doida. E quem fica, para, respira e sente sou eu.