Quem acompanha Caminho das Índias desde o início sabe que Chiara – personagem muito bem defendida por uma Vera Fischer que, no caminho oposto ao De Susana Vieira, optou por aceitar a maturidade – passou a trama inteira duvidando do amor. De acordo com seu discurso, os homens, em sua grande maioria, não pensavam em nada além de aventuras, paixões efêmeras, etc. Até a chegada de Mike/ Eric (Odilon Wagner), a versão masculina e menos-do-mal de Yvone.
Chiara, então, abriu mão de suas defesas – e de sua vida pra lá de estável no Rio de Janeiro – e se deixou levar por aquilo que chamava de “conto de fadas”.
Glória Perez tinha duas opções: manter a história de amor de Chiara e Mike/Eric, provando que as pessoas tanto podem se regenerar quanto passar a acreditar, ou simplesmente mostrar aos telespectadores algo real, sincero e triste: às vezes, por mais que queiram, nem todos conseguem o tal do “final feliz”. E venceu a segunda opção.
Não sei se concordo com o caminho escolhido, mas o desespero de Chiara ao notar o término de seu sonho é algo que qualquer pessoa que leva uma vida mais ou menos movimentada já sentiu.
E Chiara, no capítulo desta segunda, arrematou: de acordo com ela, alguém que sempre traçou planos e nunca se deixou levar por impulsos jamais poderia achar que, mudando da água pro vinho, tudo daria certo. Muito resignado? Talvez. Mas é justamente isso o que as pessoas sentem ao passar por qualquer decepção. Em algum momento do percurso de cura, preferirão acreditar que a culpa foi delas. Principalmente quando conseguem enxergar algo além de si mesmas.
Resta esperar o gran finale. Se, nesta última semana, Chiara for surpreendida por um novo e grande amor, a esperança vencerá – como ocorre com todo final de novela.
Agora, se a personagem terminar sozinha (mesmo que bem-acompanhada por amigos), a mensagem de Glória Perez, apesar de mais verossímil, será bem menos bonita.
Afinal, amores que dão certo aos 45 do segundo tempo deveriam dar certo pelo menos na ficção.
os posts sao esporádicos, mas sempre venho aqui esperando por um novo. É que eu sei que as esperas sempre valem a pena… vc escreve deliciosamente bem. =)
Deveria
Ju,
Tudo bem?
Você ainda faz revisão?
Me escreva…
Bjs