Eu estava tão perdida, que achava que, se mudasse as cores das paredes e tirasse aquele tom roxo, a vida voltaria a caminhar. Também passei pela fase do “vamos jogar fora tudo que quebrou ou não presta”. Comprei flores (das quais cuido até hoje), limpei a vida e tentei caminhar.
Minha mãe, em sua doce impaciência, disse que eu tinha a obrigação de voltar a ser feliz até o final de março. Caí mais algumas vezes depois disso, até notar que as situações em si não são responsáveis por nada. Não são os acontecimentos que me levam a desacreditar, mas a minha ausência de mim. Não, não tomei drogas. Acontece que, sempre que saio do meu eixo - pouco importando se este é feito de loucuras ou pequenas obsessões -, afundo. Simplesmente afundo. Desço, desço, desço. Sem fé, coragem, amor.
Depois, para conseguir subir, às vezes o fôlego some. E fico lá embaixo até que apareça alguma boa alma que me tire do buraco e me faça re-acreditar.
E isso aconteceu. Não assim, com toda essa facilidade que a escrita pode demonstrar. Mas sem querer, quando eu menos esperava, ela estava lá. Bracinhos estendidos, dizendo “vem, Ju. Vamos, que chegou a hora”. E fui.
É claro que ainda estou cuidando dos arranhões e hematomas adquiridos com a queda. É claro, também, que, por conhecer minhas fraquezas, serei obrigada a me equilibrar aqui em cima para que não torne a cair. Mas, mesmo assim, é libertador descobrir que caí sozinha, sem que ninguém me empurrase.
Se antes eu preferia pensar em culpados, hoje creio que a descida foi única e exclusivamente fruto de minhas vontades e escolhas.
O problema é que ali, naquele buraco triste e fundo, eu não estava sendo feliz. Nem eu mesma.
E é justamente por esse ato de bon-da-de (palavra que andei menosprezando) que agradeço a ela.
Serei feliz aí em cima e, preferencialmente, ao lado de vocês.






já havia alguma vontade naquela loira que repintou paredes e jogou coisas quebradas fora. Acho que sobraram caquinhos. Ou coisas que pareciam, ainda, funcionar.
Havia uma vontade imensa de respirar, sem ajuda de aparelhos. Era só olhar, ouvir, sentir.
Não havia outra opção, que não fosse: vem!
(uma parte de mim tb queria resistir a ir na direção em que você me lançou, numa festa).
Adoro te ver em movimento. Em direção.
Adoro que de uma história que começou com um “é nossa!” a gente tenha criado coisas tão nossas.
Saiba que eu conheço bem o meu buraco, tão triste e fundo quanto o teu. Ou mais.
A gente aprende a olhar pra ele de longe. A descobrir caminhos e artimanhas pra não cair.
De mão dada me parece mais fácil.
E tudo que posso te dizer é: Fica?
beijo!
Estou feliz por você!
O mundo precisa mesmo de mais pessoas boas felizes!
um beijo