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Assunto complicado, chato e necessário. Principalmente para todos aqueles que deixam de lado a humildade tacanha e reconhecem no egocentrismo uma necessidade, uma chance de encarar o mundo e ser encarados por ele. Nada de errado nisso, não?
Para alguns, no entanto, discrição é tudo. Ou talvez seja simplesmente aquilo em que gostariam de acreditar. Porque discrição não significa omissão, assim como gargalhadas contagiantes não têm nada a ver com o tal do “querer aparecer”.
Discrição é educação e respeito. Respeito pelos seus problemas, pelas suas vontades. E por problemas e vontades do outro. Dessa maneira, se minha risada é a mais alta do pedaço, ainda considero essa característica melhor do que optar por simplesmente não dizer, à pessoas que dizemos amar, coisas que são muito importantes, caras.
Há pouco tempo, passei por uma séria questão relacionada à amizade. E soube que algumas pessoas consideravam erradas minhas condutas pra lá de sinceras e diretas. Tudo bem, ninguém tem obrigação de conviver com qualidades alheias que não aceita. E foi somente por esse motivo que optei pelo silêncio. Acreditei que, me calando, as verdades viriam à tona. Para mim e para os outros. Ou seja, para todos os nossos erros.
Ainda assim, considero a sinceridade muito melhor que a omissão. Sem contar a mentira que tal omissão carrega consigo e que sempre envolve a vida alheia como se não houvesse uma parcela de culpa a ser descontada.
Voltando à amizade e ao tal do “querer aparecer”, o que mais me magoou nisso tudo foi a certeza de que minha palavra – justamente minha palavra – não era mais levada a sério por algumas pessoas. E tudo isso por conta de omissões alheias que, fantasiadas de discrição, fizeram de mim, mais uma vez, a louca-aparecida-de-todas-as-horas. Pois bem: tenho muitas tatuagens, uma mesa repleta de pessoas engraçadíssimas que sempre me fazem rir e muito, mas muito respeito pela sinceridade que não vem para magoar, mas para fazer aquela pessoa querida enxergar o que sempre pediu para saber. Confiar, sabe? “Olha, você tem uma couve no dente”, antes que sua amiga saia para uma entrevista de emprego. “É melhor você não ir, porque Fulano estará lá”, antes que ela encontre aquele alguém que tanto a magoou no passado. Verdades que simplesmente evitam situações vexaminosas. Se não podemos salvar ninguém pelo amor, ao menos temos a obrigação de evitar constrangimentos e sofrimentos desnecessários. E não, isso não é agir como Deus, mas sim como alguém que se preocupa e quer bem.
Se fosse contar o tanto de vezes em que ouvi um “Ju, pare de beber, porque tá pegando mal” e resolvesse parar de falar com todas as pessoas que tiveram coragem de ser sinceras, simplesmente não teria mais amigos.
Algumas verdades, por mais que doam, ainda são melhores do que pequenas mentiras, pois essas, sim, causam muito mais estragos.
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De tempos em tempos, opto pelo renascimento. De tudo. Cabelo, roupas, textos, documentos, acessórios, etc.
Limpo tudo, minuciosamente, até reencontrar um olhar de alento. Até me enxergar e dizer “sim, essa sou eu”. Depois, se sinto que faltou algo, arregaço as mangas e recomeço.
Se tem algo que me faz caminhar é isso: a necessidade de mudança. A preguiça até pode ser um de meus mais patentes pecados, mas aqui, nessa louca busca, ela nunca tem espaço.
Reconstrução. Descobrir que pedaços de mim não têm respondido à altura de meus anseios. Verificar que dores são realmente necessárias. Quais delas levam a algum crescimento.
Limpar. Jogar fora e-mails antigos, amores doídos, lembranças que devem morrer. E fazer tudo isso com serenidade, maturidade, amor.
Difícil, não? Pois tem sido este o grande exercício dos últimos dias. E a única palavra de ordem é “ponderação”. Para não magoar mais ninguém, para lidar comigo sem tantas críticas, para viver de modo mais leve.
Sim, sim, sim. Sei que peco pelos altíssimos índices de sinceridade e que nem todos têm a obrigação de aturá-la. Sei, também, que tal sinceridade pode até ser relativa. Mas é legítima, é minha, e faz parte daquilo em que mais acredito e que ainda não sei nomear. Seria respeito, dignidade…? Não. É algo um pouco menos complexo que esses termos. E um pouco mais meu também.
Sei lá. Se antes eu perderia laudas e laudas com a intenção de me abrir e provar as minhas maiores verdades, hoje prefiro deixar que as coisas se encaixem onde podem. E nem sempre cabem todas no coração.
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Só para informar que sim, ainda estou viva, e tenho amigos que escrevem coisas lindas, lindas, lindas. De um jeito que nos apaixonamos ainda mais pela amizade que construímos. Amo o meu Lelex!
60 dias, por Alex Menotti
Olho para o apartamento, meio bagunçado, e tenho aquela sensação amarga de saber que vou abandoná-lo em breve. Ou ele vai me abandonar, sei lá. Vem apenas a certeza de que o que deveria durar mais sempre acaba. Até mesmo o que poderia durar para sempre. Faz frio, uma noite fria de julho. O silêncio incomoda. Coloco algo para embalar o momento. Dylan, é claro. Lembro-me de uma garrafa de vinho guardada no móvel do corredor. Aquela garrafa guardada para uma ocasião especial que nunca veio. Oquei, vinho, é hoje, sua hora chegou. Sirvo-me de uma taça no apartamento meio bagunçado, este que vai me abandonar.
Trabalho lentamente no vinho, 1-2 cigarros, ela passou por mim, seráfica, e foi como um solo do Coltrane em A Love Supreme no meio de tanto lixo dos anos 80. Não sabia quem ela era, achei que nunca mais a veria, mas a tal Fada da Paquera estava especialmente de bom-humor naquela noite inesperada de abril. Quando me vi, éramos um casal. Os dias estranhos tinham acabado, enfim. O canto anasalado toma conta do apartamento, aquele. Confiro a garrafa, pouco mais da metade ainda. Há quase uma semana que não coloco algo decente no estômago, penso. Foda-se. Procuro por cigarro, em vão. Desço ao botequim ao lado para comprar mais, aproveito para trazer algumas cervejas, só por garantia.
Era boa a vida na casa colorida. Não era minha casa, era dela, mas a vida era boa lá. Tinha as risadas. Tinha as noites eternas. Tinha aquele sorriso largo & profundo, que se tornava mais largo & mais profundo quando perto, muito perto, de mim. Tinha as quase juras de amor. Acendo mais um cigarro, coloco as cervejas na geladeira, na cozinha que em breve não será mais minha. Tinha também as cervejas e os chopes intermináveis nas mesas do Bar-do-Dia-da-Marmota. Tinha seu rosto repousando no meu ombro, “o melhor lugar em que já estive”, ela me disse certa vez. E sorriu seu sorriso largo & profundo.
Foi um abril incrível, aquele de 2009. Mas Deus é um cara gozador, adora brincadeira. Veio o medo. Vieram as diferenças. Vieram as palavras ríspidas. Vieram as brigas sem sentido. Veio o Fantasma dos Carnavais Passados. “Eu não consigo estar com alguém se não estou inteira”, ela me disse. “Preciso ser coerente comigo”, ela argumentou. Não me cobre coerência, penso, quando o interfone toca e o vizinho pede para abaixar a música. Abaixo o volume. A incoerência é o que torna esta porra entre o nascimento e a morte mais interessante. Mas não, meu chapa. Você tem que respeitar o que ela deseja. E assim ela se foi, deixando na lembrança um sorriso largo, profundo, tantalizante.
Ficou a saudade de tudo que houve de bom. E uma saudade lancinante de tudo que nunca houve. Entre a dor e o nada, lá do Faulkner, não escolhi o nada. Também não escolhi a dor, ela me escolheu. Deixou “aquilo tudo” guardado em algum lugar, que não sei exatamente onde é. Percebo que a música está baixa demais. À merda o vizinho. Aumento. Torto, tortinho, dou uma boa golada no vinho, uma boa tragada no cigarro. Tento lembrar o que foi dito, quando foi que tudo se tornou ladeira-abaixo. Tento imaginar o que poderia ter dito a ela. O vinho chega ao fim. A música ecoa pelo apartamento. “Forget the dead you’ve left, they will not follow you”. É isso aí, Zimmerman. É isso aí.
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(porque, além de florir, também gostamos de cortar o estradão)
Uma linda e doce amiga me fez conhecer a seguinte música:
Então, por que caralho que eu não tenho a porcaria de um namorado?
Fulerô o esquema…
A gente não bate fogo, não
Brasil-sil-sil-sil
Fulerô, fulerô, fulerô…
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Eu sou uma mina de família
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu fiz crisma e o caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu lavo, passo e cozinho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu dou em homem casado
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu sou amélia pra caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Nós somos bonitas
B-U-C-E-T-A, bonitas
Fulerô, fulerô, fulerô…
Eu sou uma mina de família
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu fiz crisma e o caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu lavo, passo e cozinho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu dou em homem casado
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu sou amélia pra caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
As mina de “fudê” tão com uns maluco nada a ver
Vai saber
Eu tenho me esforçado tanto
Eu fico entre os melhores lugares
Eu tomo banho todo dia
Eu sou uma pessoa tão legal
Eu to ligada que você só quer é me comer, né?
Mulher quando quer é bom
- Eu tenho um namorado…
Ah… vai se fudê
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