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Escrever requer tempo, cuidado, carinho. O momento, no entanto, é de revirar os móveis e deixar que a energia flua de uma forma diferente, do bem, para o bem.
Encontrar o melhor lugar para cada coisinha daqui. Espaços preenchidos da maneira certa. Parece loucura, mas esse é o meu modo de organizar quem sou.
Preciso urgentemente de dinheiro para pôr em prática tantas mudanças. Mexer sem medo nessa poeira acumulada que teima em ainda entrar. Abrir as janelas para que saia de vez e  eu consiga respirar o ar puro necessário a toda e qualquer mudança.
Sim, estou e estarei por aqui. Mas é época de cumprir o único dever que impera: reviver. Com tempo, cuidado, carinho.

tempo que voa

Tempo, tempo, tempo. Parei para pensar que estou morando sozinha há quase sete meses e sem meus pais há quase um ano e meio.
Um amigo disse, assim que saí do bem-bom dos papais, que eu não duraria nem duas semanas sozinha. Mas – opa! – durei e pretendo durar muitas e muitas outras.
Gosto de mim, da minha solidão procurada, de dar satisfação à Cabíria e a mais ninguém.
Saí de casa sem saber fritar um ovo e hoje consigo fazer muito mais que isso. Tudo na marra, sim, mas divertido e necessário.
Joguei fora tudo que não ornava mais, limpei gaveta por gaveta, mantive minha essência quase intacta mesmo depois de tantos acontecimentos tristes e desnecessários.
Hoje, o que quero é voltar a ter um trabalho fixo e nunca mais deixar de florir e de acreditar em mim.
Quanto ao resto, como diria minha avó, “vai-se indo”.
 
Poucas e bobas:
 
* Notei que, infelizmente, a cachaça deverá ser bebida pelos outros, pois já não me cai tão bem.
 
* Vi o final da quinta temporada de Grey’s Anatomy e não poderei chorar nos próximos anos, porque as lágrimas se foram. Todas.
 
* Aproveitei e revi a quinta temporada de Lost. E não chorei, mas vai ser difícil esperar até a próxima.
 
* Voltei a seguir Caminho das Índias re-li-gi-o-sa-men-te.
 
*Continuo firme e forte com os meus feltrinhos e pretendo participar de um bazar da minha irmã ainda neste mês.
 
* Revi meus conceitos de fé e tenho trabalhado muito nisso.
 
* Estou cada vez mais apaixonada pela minha família, pela Cabíria e pelos amigos.
 
* Nunca fui tão pobre e, paradoxalmente, tão plena.
Com um riso contido, uma gargalhada? Não sei. Não sou boa nesse negócio de imaginar a felicidade como algo tangível. Tem quem pense que ela está nos pequenos momentos, no valor que damos às coisas boas, no reviver. Também tenho uma amiga que diz não ser feliz porque nunca foi à Grécia, por exemplo. E concordo com tudo. E todos. Felicidade é algo que não se alcança nem se pega com as palmas das mãos. É algo bom, sim. Mas há horas em que dá mais medos do que certezas. E é nessas horas, malditas horas, que ela escapa.
Então choramos, nos escoramos em tudo o que estiver por perto e parecer bom, ressurgimos. E acreditamos que nesse “ressurgir” também habita a felicidade. O ânimo de saber que sobrevivemos, que suplantamos a porra da dor, que vencemos.
Acabei de receber mensagem de uma pessoa fofa e grata. E isso me fez feliz. Deixei de sair hoje só para montar meu miniateliê. E também fui feliz. Optei por beber somente dois dias nessa semana para “limpar a alma”, consegui e… fui feliz.
Reencontrei o povo da Trash, que hoje comemora 7 anos - parabéns! -, e adorei. Fui à Gambiarra e dancei. Bati ponto no Filial-eterno-de-uma-mente-sem-lembranças e, mais uma vez, me diverti.
Pessoas queridas fazem a vida melhor. E vidas melhores agregam mais e mais pessoas queridas.
Talvez a minha feliciade esteja nisso. Em escrever também sobre coisas boas justamente para que se tornem ainda mais vivas e reais. Sem medo dessa vez.
 
(mais um post dedicado ao casal de amigos que tem feito meus dias valerem cada segundo. Muito do que está escrito aqui veio de deliciosas conversas com eles)

(porque, além de florir, também gostamos de cortar o estradão)

 

Uma linda e doce amiga  me fez conhecer a seguinte música:

 

Eu sou uma gueixa…
Então, por que caralho que eu não tenho a porcaria de um namorado?
 
Se quiserem ouvir, entrem aqui, apertem o play e divirtam-se conosco.

Fulerô o esquema…
A gente não bate fogo, não
Brasil-sil-sil-sil
Fulerô, fulerô, fulerô…

Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver

Eu sou uma mina de família
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu fiz crisma e o caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu lavo, passo e cozinho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu dou em homem casado
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu sou amélia pra caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?

Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver

Nós somos bonitas
B-U-C-E-T-A, bonitas
Fulerô, fulerô, fulerô…

Eu sou uma mina de família
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu fiz crisma e o caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu lavo, passo e cozinho
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu dou em homem casado
Por que é que eu não tenho um namorado?
Eu sou amélia pra caralho
Por que é que eu não tenho um namorado?

Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
Os cara de “fudê” tão com umas mina nada a ver
As mina de “fudê” tão com uns maluco nada a ver
Vai saber

Eu tenho me esforçado tanto
Eu fico entre os melhores lugares
Eu tomo banho todo dia
Eu sou uma pessoa tão legal

Eu to ligada que você só quer é me comer, né?
Mulher quando quer é bom
- Eu tenho um namorado…
Ah… vai se fudê

a arte de florir

Há muitos e muitos anos, eu vinha repetindo a mesma fórmula: total desapego às coisas da casa, à cozinha, ao artesanato, a qualquer atividade que me remetesse a uma infância de família calabresa que gostava de tudo farto, colorido, feliz.
Há muitos e muitos anos, eu rejeitava minhas origens por vergonha e medo de parecer somente uma menina, uma mulher como todas as outras.
Eu vestia a carapuça de única e inimitável e fugia de todos os laços que me levassem a reatar com um passado até então considerado desnecessário.
Ledo engano.
Hoje, enquanto faço meus freelas de revisão e reinvento a vida, gasto as horas cozinhando, fazendo desenhos no feltro, aprendendo.
Até sei quando a tal da negação começou. Foi assim: era uma vez uma avó biruta que disse que não adiantava nada estudar, pois eu passaria a vida lavando cueca de homem.
Depois disso, meus caros, veio o nojo, veio a birra, veio a vontade de romper.
Eu só não percebia que rompia comigo, com minha essência, e deixava à mostra a Juliana de Plástico, armada e perigosa.
Eu não caminhava, mas marchava. Não me envolvia, mas ia pelo desafio. E isso cansou. Quando tudo piorou e a vida pareceu desabar, a soldadinha se desarmou. E sobrou a mulher. Aquela que eu odiava, aquela da qual me afastava.
Ela.
A Juliana que cozinha, sim, que ama, sim, que acredita, sim. A que gosta de pessoas que sabem sorrir, de verdades doces e comedidas, de esperanças necessárias.
Tirarei um dos sofás da sala e trocarei por uma enorme mesa. Lá ficarão todas as cores do meu artesanato, do meu cuidado.
Aumentarei minha coleção de santos e crenças e limparei a casa sem pressa.
Enfim, farei essa energia boa – e minha – fluir sem medo e, principalmente, sem a culpa de não ter sido o exército de um homem só.
Acordar de ressaca, fazer macarronada com mais queijo do que massa, sair para passear com a cadelinha e fugir do mendigo bêbado na praça.

aliás…

Eu deveria me especializar em fazer análises minucionas das músicas que tenho ouvido.
Minha amiga e eu temos uma música-xodó, do Beto Guedes, chamada O Sal da Terra.
Vejamos, então, o que podemos fazer com o que ele nos oferece:
 

Anda, quero te dizer nenhum segredo – interessantíssimo!
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar – notório caso de TOC

Tempo, quero viver mais duzentos anos – meu Deus, pra quê???
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir – parte bonitinha, vai…

Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão – depois disso a gente abraça uma árvore e saúda o Deus-Sol
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor – vamos dar um desconto, pois foi de coração
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver – idem

A paz na Terra, amor, o pé na terra – ibidem
A paz na Terra, amor, o sal da… – ibibibibibidem

Terra, és o mais bonito dos planetas – pergunta: quantos planetas ele visitou?
Tão te maltratando por dinheiro, tu que és a nave nossa irmã – aqui, nesse ponto, depois de saudar o Deus-Sol, tomaremos um banho de cachoeira em homenagem à Deusa-Mãe

Canta, leva tua vida em harmonia – ok
E nos alimenta com teus frutos, tu que és do homem a maçã – “tu que és do homem a maçã”: exemplo perfeito de pessoas que não precisam usar metáforas nunca mais na vida, amém!

Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois – não, Beto. Dá dois, mesmo
Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão – e depois da Deusa-Mãe vem quem? Pã? Saudemos Pã!
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois – Oi, Pã!

Deixa nascer o amor – ok
Deixa fluir o amor – ok, ok
Deixa crescer o amor – ok, ok, ok
Deixa viver o amor  – ok, ok, ok, ok

 

Ok, Beto. Você venceu. Paz!

Tudo porque agora, além de escutar Dalto, Claudinho & Buchecha e Placa Luminosa A SÉRIO, eu também encontrei uma nova-música-preferida-para-a-vida-inteira.
Preparados? Chama-se Sensual (repito: Sen-su-al) e é interpretada pelo Roupa Nova e pelo Toni Garrido.
 
Engulam essa:
 
Nada a dizer antes de sentir
Ter ou não ter
Repetir…
Olhar assim
Como quem não quer,
Ouvir um sim
E querer demais,
Dividir pra valer
Chegar bem fundo
E ser natural,
Ser sensual
Mais do que normal
Refletir você
Nada a dizer antes de provar
Todo prazer
Recordar…
Chegar ao fim
E ir um pouco mais
Correr atrás,
Já que tanto faz
Ser ou não pra valer
Chegar bem fundo
E ser natural,
Ser sensual
Mais do que normal
Refletir você…
 
Depois de deixá-la no repeat ad nauseam e de saracotear pela casa inteira, descobri que a letra remete pura e simplesmente a um belíssimo papai-e-mamãe. Prestem atenção: “chegar bem fundo”, “refletir você”, ”chegar ao fim e ir um pouco mais”…
A parte do “correr atrás, já que tanto faz” pode até abrir os caminhos para novas interpretações, mas o que fica mesmo é a mensagem bonita de um ato sexual sadio e, principalmente, sen-su-al.
Tou louca? Tou, não.

Eu estava tão perdida, que achava que, se mudasse as cores das paredes e tirasse aquele tom roxo, a vida voltaria a caminhar. Também passei pela fase do “vamos jogar fora tudo que quebrou ou não presta”.  Comprei flores (das quais cuido até hoje), limpei a vida e tentei caminhar.
Minha mãe, em sua doce impaciência, disse que eu tinha a obrigação de voltar a ser feliz até o final de março. Caí mais algumas vezes depois disso, até notar que as situações em si não são responsáveis por nada. Não são os acontecimentos que me levam a desacreditar, mas a minha ausência de mim. Não, não tomei drogas. Acontece que, sempre que saio do meu eixo  - pouco importando se este é feito de loucuras ou pequenas obsessões -, afundo. Simplesmente afundo. Desço, desço, desço. Sem fé, coragem, amor.
Depois, para conseguir subir, às vezes o fôlego some. E fico lá embaixo até que apareça alguma boa alma que me tire do buraco e me faça re-acreditar.
E isso aconteceu. Não assim, com toda essa facilidade que a escrita pode demonstrar. Mas sem querer, quando eu menos esperava, ela estava lá. Bracinhos estendidos, dizendo “vem, Ju. Vamos, que chegou a hora”. E fui.
É claro que ainda estou cuidando dos arranhões e hematomas adquiridos com a queda. É claro, também, que, por conhecer minhas fraquezas, serei obrigada a me equilibrar aqui em cima para que não torne a cair. Mas, mesmo assim, é libertador descobrir que caí sozinha, sem que ninguém me empurrase.
Se antes eu preferia pensar em culpados, hoje creio que a descida foi única e exclusivamente fruto de minhas vontades e escolhas.
O problema é que ali, naquele buraco triste e fundo, eu não estava sendo feliz. Nem eu mesma.
E é justamente por esse ato de bon-da-de (palavra que andei menosprezando) que agradeço a ela.
Serei feliz aí em cima e, preferencialmente, ao lado de vocês.

Até que enfim.

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